Quase

Quase

Parte de uma árvore gigante do cemitério
caiu há muitas horas
para o outro lado do muro
− o lado onde ficam os vivos

Caiu sobre a cabeça
de ninguém.

Olho de perto o não-acidente
os não-feridos contornam tranquilos a árvore
os carros seguem

me apavora a árvore caída sobre a cabeça de ninguém
todo quase-acidente persiste
invisível
em busca da vítima
Olho a árvore e minha vida é isto
desviar do acidente que não vejo

a vida é o que consegue restar
em torno das árvores tombadas.

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